Ela observa minhas tatuagens com atenção silenciosa, como se estivesse lendo um idioma antigo gravado na minha pele. Cada linha, cada curva, cada sombra. Não é curiosidade vazia. É estudo. É cuidado. É posse silenciosa.
Nunca permiti isso a ninguém. Nunca deixei que olhassem para mim assim, como se eu fosse algo a ser compreendido e não apenas temido. Mas com ela… eu deixo. Mais do que isso, eu quero. Quero que ela conheça essa parte de mim, mesmo que jamais entenda completamente o porquê.
O que diabos há de errado comigo?
Ela está ali, tão perto, e ainda assim consegue bagunçar tudo dentro de mim apenas com a presença. Quando me aproximo por trás e a envolvo, seus ombros relaxam. Ela sorri. Um sorriso quase infantil, desses que denunciam que ela sabe exatamente o efeito que causa — e não se desculpa por isso.
— Sua vez digo baixo, a voz rouca demais para ser casual.
Ela se vira devagar, encosta a testa na minha e ri de leve antes de me abraçar. O gesto é simples. Pequeno. Mas algo m