Ele sorri, e o som é curto, quase mecânico; em seguida põe a mão na parte inferior das minhas costas e me conduz até a longa mesa posta apenas para dois. A ausência de outros convivas especialmente daquilo que eu mais temia, a presença de quem me vigia com olhos descompassados traz um alívio misturado a um novo nervosismo. Pelo menos ela não está aqui para me observar mastigar cada palavra. Ele puxa minha cadeira com aquela autoridade natural que não pergunta, apenas dispõe as pessoas como se fossem peças. Sento-me sobre a pelúcia fria e coloco o guardanapo no colo, um gesto aprendido que deveria me conferir etiqueta; em vez disso, sinto que uso um uniforme de submissão.
Luciano ocupa a cabeceira com a mesma naturalidade com que um senhor de casa ocupa o trono. Os funcionários sombras bem-vestidas surgem de uma porta lateral que deve dar para os aposentos dos criados. A forma como movem-se, silenciosos e coordenados, comprova que aqui toda ação é ensaiada; cada gesto é observado, ca