Eloy Junqueira inclinou-se sobre as planilhas dispostas à minha frente com a concentração calculada e implacável de quem foi forjado em tribunais e corredores onde se decide o destino dos outros. Conhecido entre nós como “o Juiz”, não apenas pelo posto que ocupa dentro do sistema judiciário de Manhattan, mas pelo juízo inflexível que impõe a tudo e a todos, Eloy era mais do que um padrinho de casamento; era um velho aliado e a única pessoa viva dentro da facção em quem eu confiava sem reservas.
A presença dele na minha sala não era casual: carregava o peso de decisões que se estendiam muito além de documentos e números decisões que tocavam carne, honra e a contabilidade íntima da vingança.
Ele fechou a pasta com um movimento seco e voltou os olhos para mim, aqueles olhos de aço que analisam não só fatos, mas intenções.
— Tudo parece bem disse ele, a voz medida, quase um relatório sobre a normalidade de um sistema que, na essência, é feito para manter ordem onde ordem não existe.
Sen