Meus olhos percorrem o rosto de Rosália, cada traço imóvel, cada linha suave que eu conheço tão bem. Minha voz começa a falhar enquanto continuo falando, e percebo que cada frase soa mais desesperada do que a anterior, como se eu estivesse negociando com algo invisível que insiste em me testar.
Vou fazer tudo. Vou alimentá-la, trocar suas fraldas, levantar no meio da noite quantas vezes for preciso. Você não vai precisar fazer nada, se não quiser. Pode continuar descansando, pode continuar dormindo, desde que esteja aqui conosco. Desde que fique.
Uma batida suave na porta corta o silêncio do quarto. Ergo o olhar e vejo uma das auxiliares de enfermagem parada ali, com expressão cuidadosa.
Sr. Bonanno.
Ela aponta discretamente para o carrinho familiar à sua frente, onde repousa a bacia de plástico e os materiais de higiene.
Sinto muito, mas é hora do banho.
Certo. Respondo com um aceno contido, quase automático, e com extremo cuidado removo minha filha do peito de Rosália, embalando-a n