Ouço meu nome sendo chamado e levanto os olhos pesados para a enfermeira parada na entrada da sala de espera. Minha visão ainda está nebulosa, meu corpo cansado demais para reagir rápido. Ela se aproxima devagar, carregando um sorriso suave, quase reverente, como se estivesse entrando em um espaço sagrado.
Ela me pergunta se estou pronto para conhecer minha filha.
A palavra filha ecoa dentro de mim como um impacto silencioso. Cambaleio ao me levantar, o coração disparando, os olhos correndo ao redor dela em busca de qualquer sinal do bebê. Minha mente tenta acompanhar, mas tudo parece fora de ordem.
Pergunto onde ela está.
A enfermeira explica que a bebê foi levada para a UTI Neonatal como medida de precaução, mas que posso vê-la agora. Diz que eu a seguirei e ela me mostrará.
Antes mesmo de dar um passo, pergunto por Rosália. Pergunto por que elas não estão juntas. Pergunto se minha esposa está bem.
Ela pousa a mão no meu braço com cuidado, como quem sabe que qualquer palavra errada