O tempo passa. Segundos, minutos, horas. De alguma forma, acabamos presos a uma rotina que se tornou estranhamente familiar. Revezamos as visitas, organizamos horários, criamos turnos silenciosos. Rosália nunca fica sozinha. Eu vou para casa apenas o tempo suficiente para tomar banho, trocar de roupa e cumprir os deveres que se esperam de mim, então retorno para este quarto frio, estéril e sem vida, onde minha esposa permanece presa em um sono que parece não ter fim.
Os dias se confundem, se arrastam, perdem forma, inevitavelmente se transformando em meses. Três meses, para ser exato. Seus ferimentos externos cicatrizaram. Ossos colaram, cortes fecharam, hematomas desapareceram. Mas as feridas invisíveis continuam ali, profundas e intocáveis. Ainda não há respostas para sua condição e, a cada novo amanhecer, a desolação dessa realidade se torna impossível de ignorar.
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