Pego o telefone e a primeira coisa que noto é a rachadura atravessando a tela. Meu polegar treme quando aperto o botão inicial. O ar foge dos meus pulmões no instante em que a imagem aparece. Vítor e Rulli estão sorrindo. Vítor segura um cone enorme de algodão-doce, a língua azul manchando o queixo enquanto ele ri. É uma foto tão comum, tão banal, que chega a doer.
Desdobro o papel que veio junto. É apenas uma folha rasgada, amassada nas bordas.
Mas reconheço a caligrafia no mesmo instante.
Voc