No topo da escada, a cena me atinge antes mesmo que eu consiga entendê-la por completo.
A mulher que reconheço da última vez surge do que imagino ser o quarto do bebê, quase correndo, um pequeno embrulho gritando em seus braços. O choro é alto, desesperado, cortante. Charlotte aparece imediatamente, como se tivesse sido puxada por um fio invisível, estendendo os braços antes mesmo de a outra mulher chegar até ela.
Ben.
O bebê parece sentir a mãe ou talvez apenas a promessa de conforto porque o choro muda de tom no instante em que ele é colocado nos braços de Charlotte. Ainda há frustração, um som irregular, quase ofegante, enquanto ele bate a cabecinha contra o seio dela, buscando, exigindo, impaciente demais para esperar.
Há algo de visceral nessa cena. Algo que me aperta o peito.
Sigo Charlotte pelo corredor enquanto o ronco grave da voz de Francisco ecoa atrás de mim. Não entendo as palavras, apenas o tom. Baixo. Controlado. Perigoso. Mas antes que eu possa registrar qualquer coi