Concordo com a cabeça, rígido demais, torcendo para que Francisco não perceba o medo que começa a se instalar devagar dentro de mim. Sempre soube que teria herdeiros. Sempre soube que esse era o meu dever. Desde que Rosália entrou na minha vida, isso passou a fazer parte do plano. Mas agora é diferente. Agora é real. Agora essa ideia me encara o tempo todo, especialmente com uma criança circulando pela casa, e eu não consigo evitar a pergunta que insiste em martelar: eu vou dar conta de ser pai?
— Como é? Pergunto, a voz mais baixa do que eu gostaria.
Francisco pisca devagar, tentando entender do que estou falando. Abro a boca para explicar, mas ele compreende antes que eu precise dizer.
— Ser pai?
Aceno com a cabeça, já arrependido de ter tocado no assunto.
Ele passa a mão pela barba por fazer e solta um suspiro pesado.
— Sinceramente? Assustador pra caralho.
Ele ri de leve, balançando a cabeça, e depois o sorriso muda. Fica mais sério. Mais verdadeiro.
— Mas é a melhor coisa que já