Sinto o peso do momento apertando meu peito, e Francisco se aproxima para segurar o desgraçado para mim, como se pudesse antecipar a fúria que ainda pulsa na ponta da minha faca.
— Eu posso fazer isso a noite toda digo, encarando o desespero escorrendo pelo rosto dele.
A frase sai firme, mas não é totalmente verdade. As sirenes ao longe já começam a se aproximar um eco crescente, uma ameaça inevitável. Alguém ouviu os tiros. Alguém chamou a polícia. O tempo está contra mim.
E eu ainda preciso tirar minha esposa daqui viva.
A última coisa que quero é arrastar esse pedaço de lixo de volta para o complexo e perder minutos preciosos acabando com ele. Mas minha paciência com esse verme está por um fio.
— Ele saiu dos trilhos o homem balbucia, tentando respirar entre um corte e outro. Eu não sei onde ele esteve! Mas ele… ele devia lidar com isso. E deixou tudo pra gente!
Passo a lâmina de leve pela testa dele, abrindo outra linha vermelha que escorre quente sobre seu nariz. O homem come