Ele pergunta… mas só depois de uma pausa estranha. Daquelas pausas que deixam o coração da gente inquieto, preso na garganta.
— Onde você está, Rosália?
Minha mão treme. O batom pesa como se fosse um tijolo. Não é só um batom. Nunca mais será só um batom.
— Henrique… minha voz sai fraca, quase um sussurro. O batom… é o mesmo. A mesma marca. O mesmo tom daquele baile. O mesmo tom da mulher que fingiu ser eu… da mulher que tentou matar o meu marido.
Falar isso em voz alta soa errado. Irreal. Como se fosse eu contando a história de outra pessoa. Mas não é. É a minha vida. É o meu inferno.
— Rosália, onde você está? Ele insiste.
— Foi você? Pergunto, com a voz quebrada. Henrique, foi você que fez isso com o Luciano? Comigo? Pelo amor de Deus, diz que não foi você…
Silêncio.
Um silêncio pesado. Aquele tipo de silêncio que grita.
Antes que ele responda, eu escuto. O barulho de um motor. Depois outro. Meu coração dispara. Olho rapidamente pelo retrovisor e vejo dois carros se aproximando. Um