Ele pergunta… mas só depois de uma pausa estranha. Daquelas pausas que deixam o coração da gente inquieto, preso na garganta.
— Onde você está, Rosália?
Minha mão treme. O batom pesa como se fosse um tijolo. Não é só um batom. Nunca mais será só um batom.
— Henrique… minha voz sai fraca, quase um sussurro. O batom… é o mesmo. A mesma marca. O mesmo tom daquele baile. O mesmo tom da mulher que fingiu ser eu… da mulher que tentou matar o meu marido.
Falar isso em voz alta soa errado. Irreal. Como