Fecho mais uma gaveta e desisto de continuar. Tem pilhas e pilhas de pastas, nomes, histórias, conexões… mas nenhuma menção direta ao meu pai, nenhuma pista sobre Rulli, nenhum pedaço de papel que responda o que mais me dói.
Sinto um cansaço súbito. Não só físico. É um cansaço de alma, como se meu corpo estivesse dizendo: por hoje chega, Rosália.
Volto pra cozinha decidida a, pelo menos, respirar outro ar.
Vou até a porta dos fundos. A fechadura é igual à da frente, com teclado numérico. Pego o papel amassado no meu bolso, digito o código, ouço o clique familiar e a luz verde acender.
— Beleza… — murmuro.
Mesmo assim, arrasto uma cadeira e deixo a porta travada aberta. Não confio cem por cento em nada que envolva “se trancar pra dentro” ultimamente.
O ar frio de fora me recebe com um abraço áspero. Não tenho casaco, então cruzo os braços sobre o peito, esfrego as mãos nos braços, tentando roubar um pouco de calor de mim mesma.
O quintal é simples, gramado meio queimado, algumas planta