A lembrança daquela palavra dita em tom de posse me faz cerrar os dentes.
— Como ele ousa? — sussurro, irritada, largando por um instante o burrito no prato.
É o meu corpo. É a minha gravidez. É o nosso filho. Ele não tem o direito de me usar como se eu fosse uma incubadora com pernas, parir o filho do Bonanno e ser descartada depois.
Não sei em que mundo ele acha que vive, mas nem a Facção deveria ter esse tipo de poder. Nem eles. Nem ele.
Respiro fundo, pego o guardanapo que está dobrado na mesa de centro e limpo os dedos, reparando que os guardanapos estão empilhados ali, limpinhos. Do lado, pacotinhos de ketchup de lanchonete.
Estranho.
Organizado demais pra uma casa “abandonada”.
Termino a caneca de água morna e só então reparo nos jornais espalhados. Pego o primeiro. Olho a data. Meu estômago aperta. Pego outro. Jogo o primeiro de lado e confirmo a data do segundo.
Todos iguais.
Todos da mesma semana.
A semana seguinte ao baile.
Embaixo da pilha, encontro revistas de fofoca, daq