Nem Henrique nem eu dizemos uma palavra enquanto ele dirige para fora da garagem. O motor ronrona baixo, como um animal cansado, e o carro parece um bote para atravessar um mar de silêncio espesso.
Sinto-me humilhada.
Mortificada.
As palavras que me jogaram na sala o deboche abafado, a exposição que ainda queimam na garganta como brasa. Tudo aquilo só agora começa a se assentar dentro de mim, a tomar forma. Tudo o que consigo fazer é encolher o corpo no banco do passageiro, puxar os joelhos