Permita-me começar dizendo que respeito — o tipo que Henrique Lucchese profere agora — sempre teve um preço para mim. Ele se curva, formal e contido, num gesto que parece ensaiado para confortar os medos alheios. Olho para ele enquanto a luz do meu escritório desenha sombras longas sobre a mesa de mogno. Henrique não é homem de inclinar-se com facilidade; dele sei que brota um orgulho enraizado, uma convicção de que merece mais do que alguém ousou lhe dar. Há, claro, um ressentimento fino que t