Capítulo 140

 — Chefe, eu preciso dar uma palavra com você. Francisco aparece na porta do quarto da Rosália, a cabeça dele surgindo só até a metade, como se tivesse medo de entrar.

Eu só resmungo, irritado, sem afastar as mãos da janela. Estou tentando tirar uma tampa absurda que alguém pregou como se quisesse me torturar. A peça não sai nem com reza brava.

— Me dá uma mão com isso, sim? Digo, puxando de novo, o braço já doendo.

Mas ele não se move. Fica ali, plantado, a postura rígida, o olhar estranho. Tenso.

— Eu acho que o senhor deveria vir aqui pra gente conversar, ele insiste, com aquela voz baixa de quem está prestes a entregar tragédia.

Eu olho por cima do ombro e franzir a testa é automático, porque a expressão dele… é a expressão que se faz quando o chão abriu e você precisa avisar alguém que ele vai cair.

Não.

Hoje, não.

Não depois de tudo.

Meu estômago revira, pesado, ameaçando subir pela garganta.

Eu já sei.

Eu sei.

Já sinto antes mesmo que ele diga.

No momento em que saí da casa de
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