Por que ele ainda se dá ao trabalho de me alimentar?
Ah…
Eu sei a resposta.
Eu sempre sei.
Se eu estiver grávida, ele vai querer o herdeiro dele.
Não o bebê.
Não meu filho.
O herdeiro.
Me pergunto…
Se estivesse grávida… ele seria capaz de cortar o bebê de mim?
De me deixar sangrar até morrer depois de conseguir o que queria?
— Deus… — sussurro, apertando as têmporas. — Eu tô pirando. Eu tô perdendo a cabeça.
Deito de costas na cama e encaro a câmera de segurança lá no canto.
Olho fixo, direto.
Mas a luzinha que piscava… não pisca mais.
Apagou dias atrás.
Ele desligou.
Não liga mais pra mim.
Por que eu ligo pra ele?
Por que esse homem ainda importa?
Por que eu tô aqui, sofrendo, desejando que ele apareça, quando eu deveria agradecer por ele ter sumido?
Passo as costas da mão no rosto, enxugando lágrimas.
De novo.
Sempre de novo.
As lágrimas nunca param.
Pego o frasco.
Abro.
Tiro mais dois comprimidos.
Engulo.
Mais dois.
Engulo.
Mais dois.
E mais dois.
Eu sei o que estou fazendo.
Eu sei