Não estou mais no meu quarto. Não precisa nem abrir os olhos pra saber disso o cheiro é outro, os sons são outros, a luz bate diferente. É como acordar dentro de um lugar que não faz sentido pra minha cabeça ainda confusa. Fico completamente imóvel, tentando entender, tentando lembrar o que aconteceu antes disso… mas tudo na minha mente é um borrão cinzento e fragmentado.
Sinto algo puxando meu braço, uma pressão estranha, como se estivesse presa a alguma coisa. Meu corpo reage antes mesmo da consciência: eu tento me afastar, puxar o braço de volta, mas não consigo. A sensação de aprisionamento é tão instantânea que meu coração dispara, violento, urgente.
A primeira coisa que penso é:
“Voltei pro porão. Ele me trouxe de novo pro porão.”
E o pânico toma conta de mim como uma onda que vem por trás e me arrasta inteira.
— Está tudo bem, diz uma mulher, a voz baixa, calma, mas com um sotaque que não reconheço. Shhh, querida. Não há nada com que se preocupar. Só relaxe… isso, assim… está