Já era de manhã quando Felicia finalmente saiu do banheiro. E eu juro… por um segundo, eu nem a reconheci. Ela estava usando um moletom barato que compramos na única lojinha aberta no caminho, o cabelo ainda úmido, sem nenhuma maquiagem pra esconder o estrago da noite anterior. O corte na bochecha dela estava limpo, mas o hematoma… Deus. Parecia mais escuro agora, mais evidente, mais real.
Ela se parecia com qualquer pessoa, menos com a minha irmã.
— Luciano? Wla perguntou baixinho, parada ali, sem coragem de entrar. Por que estamos aqui?
Eu não respondi, porque a verdade é que eu nem tinha uma resposta que não doesse. E ela sabia. Nós dois sabíamos que a conversa que estava prestes a acontecer ia decidir o futuro dela e, de certa forma, o meu também.
— Me conta tudo ordenei, porque alguém precisava começar.
Felicia deu alguns passos, hesitante, e se sentou na beirada da cama, encolhida, com as mãos apertadas no colo como uma criança com medo de ser castigada.
— Eu conto… mas eu pr