Quando a gente chegou em casa naquela noite, depois do Tribunal, eu só queria tomar um banho quente e dormir por uns três dias seguidos. Mas Ana, coitada, já tinha preparado um jantar lindo, cheio de detalhes, velas acesas… até parecia romântico. Quase consegui esquecer que tínhamos acabado de sair de um lugar onde basicamente decidiram se eu era culpada de matar meu marido ou não.
A gente sentou à mesa, e eu fiquei ali girando o vinho no copo, apreciando cada gole como se fosse ouro líquido. Luciano deixou eu beber — afinal, agora todo mundo sabe que eu não estou grávida. E sinceramente? Depois daquela tortura mental no Tribunal, eu senti que merecia.
Mas quanto mais eu bebia, mais minha cabeça voltava para a tal mentira. Para a conversa sobre o bebê. Para o fato de que, em algum momento, estamos planejando trazer uma criança para esse mundo por motivos que… nem eu sei explicar direito.
E da boca me saiu, sem pensar:
— Se fosse só isso… a gente podia dizer que eu tive um aborto espon