Capítulo 111

As portas pesadas se fecham atrás de nós, e o som ecoa como um aviso: sem volta. O clima ali dentro é gelado, quase desumano, e cada passo que a gente dá parece bater no chão com força dobrada.

Luciano coloca a mão firme nas minhas costas, me guiando até o púlpito. Eu achei que ele fosse me deixar sozinha ali, como na primeira vez… mas ele não sai do meu lado. E isso… isso muda tudo. Porque eu percebo que estou tremendo. Literalmente tremendo.

Ele percebe também.

Sua mão desliza pela minha nuca, dedos tocando a marca que eu carrego dele. E ele se inclina devagar, murmurando baixinho no meu ouvido:

— Relaxe. Eu estou aqui.

E por um segundo — só um — eu acredito nele.

Eu olho ao redor, reconhecendo cada canto dessa sala fria como uma cicatriz na minha mente. E meu olhar para bem onde Felicia estava sentada na última vez… o rosto inchado, os olhos vermelhos, chorando por ele. E agora, Benito está sentado exatamente ali, olhando pra gente com aquela expressão indecifrável que me deixa mai
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