As portas pesadas se fecham atrás de nós, e o som ecoa como um aviso: sem volta. O clima ali dentro é gelado, quase desumano, e cada passo que a gente dá parece bater no chão com força dobrada.
Luciano coloca a mão firme nas minhas costas, me guiando até o púlpito. Eu achei que ele fosse me deixar sozinha ali, como na primeira vez… mas ele não sai do meu lado. E isso… isso muda tudo. Porque eu percebo que estou tremendo. Literalmente tremendo.
Ele percebe também.
Sua mão desliza pela minha nuca, dedos tocando a marca que eu carrego dele. E ele se inclina devagar, murmurando baixinho no meu ouvido:
— Relaxe. Eu estou aqui.
E por um segundo — só um — eu acredito nele.
Eu olho ao redor, reconhecendo cada canto dessa sala fria como uma cicatriz na minha mente. E meu olhar para bem onde Felicia estava sentada na última vez… o rosto inchado, os olhos vermelhos, chorando por ele. E agora, Benito está sentado exatamente ali, olhando pra gente com aquela expressão indecifrável que me deixa mai