A frase dele ecoou dentro de mim como um tapa:
“Eu durmo sozinho. É melhor assim.”
Melhor pra quem? Certamente não pra mim.
Senti o sangue fugir do rosto, mas segurei firme no braço da cadeira e me levantei.
— Não é melhor — respondi, a voz trêmula e cheia de raiva. — Eu sou sua esposa!
A cadeira não deslizou por causa do tapete, e eu tive que erguer a coisa como se estivesse carregando um trator. Eu estava tão irritada que, se pudesse, jogava a cadeira na cabeça dele.
— Rosália… — ele suspirou. — Você tá querendo arrumar briga. E hoje não é o dia.
— Não posso viver assim! — explodi. — Eu estou ficando louca, Luciano! Minha cabeça gira o tempo inteiro. Um minuto você me abraça, você me toca, fala de bebê comigo… no outro você me manda pro meu quarto como se eu fosse uma intrusa! E eu não sei de nada, NADA, enquanto você sabe de tudo! Eu ia pagar com a vida pelo que aconteceu com você e você não me explicou nada — nada!
Ele ficou me olhando como se estivesse decidindo entre me beijar o