Mundo ficciónIniciar sesiónQuando a vida da sua família está à beira da ruína, Lívia Albuquerque aceita fazer o impensável: casar-se com um homem que a despreza. Arthur Valença é frio, poderoso e perigoso. Dono de um império bilionário, ele carrega um único objetivo — destruir a mulher que ele acredita ter arruinado seu passado. O problema? Essa mulher… é Lívia. Presos em um casamento baseado em ódio, humilhação e segredos, os dois entram em um jogo cruel de poder, onde cada toque é uma provocação e cada olhar esconde uma guerra. Mas à medida que o desprezo se transforma em desejo… e o desejo em algo muito mais perigoso, verdades enterradas começam a emergir. E quando a maior delas vier à tona, não será apenas o casamento que estará em risco… Será tudo. Porque amar pode ser fatal — mas odiar… pode ser ainda pior.
Leer másO telefone tocou três vezes antes de Lívia atender.
Ela já sabia que não era uma ligação comum.
Ninguém ligava para ela àquela hora da manhã sem motivo.
— Lívia… você pode vir para a empresa agora? — a voz do pai do outro lado da linha não parecia dele.
Estava baixa.
Tensa.
Quebrada.
O coração dela apertou imediatamente.
— Aconteceu alguma coisa?
Silêncio.
E então:
— Só vem.
A ligação caiu.
E foi naquele exato momento que algo dentro dela disse: tudo está prestes a mudar.
Trinta minutos depois, Lívia atravessava o saguão da empresa da família com passos rápidos, mas controlados. O som do salto ecoava pelo mármore, alto demais para um lugar que sempre foi sinônimo de segurança.
Mas não hoje.
Hoje havia algo errado.
Muito errado.
As pessoas evitavam olhar para ela.
Funcionários que a conheciam desde criança desviavam o olhar como se estivessem com vergonha.
Ou pior… como se soubessem de algo que ela não sabia.
O estômago dela revirou.
— Lívia.
A voz veio da recepção. Marta, que trabalhava ali há mais de vinte anos, a chamou com um sorriso fraco — quase um pedido de desculpas.
— Seu pai está na sala de reuniões.
Claro que está.
Onde mais ele estaria quando o mundo estivesse desmoronando?
Lívia não respondeu. Apenas assentiu e seguiu em frente.
Cada passo parecia mais pesado.
Cada segundo mais sufocante.
Quando parou diante da porta de vidro da sala de reuniões, respirou fundo.
Uma vez.
Duas.
Mas não adiantou.
O ar ainda parecia curto.
Ela empurrou a porta.
E entrou.
O primeiro impacto foi o silêncio.
O segundo… foi o rosto do pai.
Pálido.
Cansado.
Derrotado.
Aquilo não era normal.
O homem que sempre foi forte, firme, seguro… estava ali, sentado à cabeceira da mesa, com os ombros curvados como se carregasse o peso do mundo.
— Pai…
Ele levantou os olhos devagar.
E o que ela viu ali fez o peito apertar de verdade.
Medo.
— Lívia, senta — ele disse, apontando a cadeira à sua frente.
Sem explicação.
Sem rodeios.
Ela obedeceu, mas seu corpo inteiro já estava em alerta.
— O que está acontecendo?
Ele passou a mão pelo rosto, demorando mais do que deveria.
Como se estivesse tentando encontrar forças onde já não existia mais.
— Nós estamos… quebrados.
As palavras não fizeram sentido de imediato.
— Como assim?
— A empresa — ele continuou, a voz mais baixa agora. — Dívidas, contratos mal fechados, um investimento que deu errado… tudo acumulou.
Ela piscou.
Uma vez.
Duas.
Tentando processar.
— Mas isso não… isso não aparece do nada — disse, confusa. — Você sempre teve controle de tudo.
Ele soltou uma risada sem humor.
— Eu achava que tinha.
O silêncio que veio depois foi pior do que qualquer explicação.
— Quanto? — ela perguntou, com a voz mais firme do que se sentia.
Ele hesitou.
E isso foi o suficiente para fazer o sangue dela gelar.
— O suficiente para perdermos tudo.
Tudo.
A palavra ecoou dentro dela como um impacto seco.
A casa.
A empresa.
A história da família.
O nome que carregavam.
Tudo.
Lívia engoliu em seco.
— Existe alguma solução?
Ela precisava acreditar que sim.
Precisava.
Ele levantou os olhos novamente.
E dessa vez havia algo diferente ali.
Algo que ela não gostou.
— Existe.
Uma pausa.
Longa demais.
— Mas você não vai gostar.
O som da porta se abrindo cortou o momento ao meio.
Lívia virou o rosto automaticamente.
E então…
Ele entrou.
Arthur Valença.
O nome já era conhecido. Impossível não ser.
Um dos empresários mais poderosos do país. Frio. Estratégico. Intocável.
Mas nenhuma informação fazia jus à presença dele.
Ele não caminhava.
Ele dominava o espaço.
Cada passo era preciso. Controlado. Seguro.
Perigoso.
O tipo de homem que não precisava levantar a voz para ser ouvido.
O tipo de homem que não precisava pedir nada.
Porque ele simplesmente tomava.
Lívia sentiu o corpo enrijecer.
Algo ali… não estava certo.
Os olhos dele encontraram os dela.
E o mundo pareceu desacelerar por um segundo.
Porque aquilo não era um olhar comum.
Não era avaliação.
Não era curiosidade.
Era ódio.
Cru.
Direto.
Pessoal.
O coração dela disparou.
Ela nunca tinha visto aquele homem antes.
Então por que…?
Arthur desviou o olhar como se ela não fosse digna de mais atenção.
E aquilo doeu mais do que deveria.
Ele se sentou à cabeceira da mesa, como se já fosse dono daquele lugar.
Talvez já fosse.
— Vamos economizar tempo — disse, sem qualquer formalidade. — A empresa de vocês acabou.
Direto.
Frio.
Brutal.
Lívia sentiu o impacto, mas não desviou o olhar.
— Então por que você está aqui? — perguntou, firme.
Ele inclinou levemente a cabeça.
E então sorriu.
Mas não foi um sorriso gentil.
Foi calculado.
— Porque eu gosto de oportunidades.
O pai dela se mexeu na cadeira.
— Senhor Valença, nós podemos negociar—
— Já estamos negociando — Arthur interrompeu, sem sequer olhar para ele.
Os olhos dele voltaram para Lívia.
— Eu assumo todas as dívidas. Reestruturo a empresa. Evito a falência.
O ar na sala mudou.
Esperança.
Desespero.
Tensão.
— Em troca… — ele continuou — eu quero você.
Silêncio.
Total.
Absoluto.
O cérebro de Lívia levou um segundo a mais para entender.
— Como é?
— Casamento — ele disse, simples. — Você casa comigo. E eu salvo tudo.
O coração dela disparou tão forte que parecia audível.
— Isso é ridículo — ela disse, levantando-se. — Você não pode achar que—
— Eu não acho — ele cortou, a voz mais baixa agora. — Eu sei.
Ele se inclinou para frente.
E dessa vez… não havia dúvida.
Era pessoal.
— Ou você acha que alguém mais vai salvar vocês?
Ela abriu a boca.
Mas nenhuma palavra saiu.
Porque ele estava certo.
E ela sabia disso.
Droga.
Ela sabia.
— Pai… — ela sussurrou, virando-se para ele.
Mas o olhar que encontrou foi o que mais doeu.
Esperança.
Misturada com desespero.
Ele estava considerando.
De verdade.
— Não — ela disse, balançando a cabeça. — Não, isso não é uma opção.
— É a única — Arthur respondeu, seco.
Ele pegou um documento e o deslizou pela mesa.
O som do papel contra o vidro pareceu alto demais.
Final.
Definitivo.
— Você tem até amanhã — ele disse. — Depois disso, eu retiro a proposta.
Ele se levantou.
Como se aquilo fosse apenas mais uma negociação qualquer.
Mas antes de sair, parou ao lado dela.
Muito perto.
Perto demais.
O cheiro dele era sutil. Forte. Controlado.
Assim como ele.
Ele se inclinou levemente.
E falou baixo.
Só para ela.
— Eu esperei muito por isso.
O sangue dela gelou.
— Do que você está falando?
Mas ele já estava se afastando.
Sem responder.
Sem olhar para trás.
A porta se fechou.
E o silêncio que ficou… era ensurdecedor.
Lívia permaneceu imóvel por alguns segundos.
Tentando respirar.
Tentando entender.
— Pai… — ela disse, finalmente, virando-se.
Ele não respondeu de imediato.
Apenas olhava para o contrato.
Como se aquilo fosse uma tábua de salvação.
— Nós não temos escolha — ele disse.
As palavras caíram como um golpe.
— Sempre existe uma escolha!
— Não dessa vez!
A resposta veio mais alta do que o normal.
Mais desesperada.
Ele passou a mão pelo rosto.
— Você acha que eu quero isso? Que eu quero colocar você nessa situação?
Ela não respondeu.
Porque não sabia.
— Eu falhei, Lívia — ele disse, a voz quebrando. — E agora… você está pagando por isso.
O peito dela apertou.
Mas ainda assim…
— Isso não é solução — ela insistiu. — Isso é… venda.
Silêncio.
Pesado.
Doloroso.
— É sobrevivência — ele respondeu.
E talvez fosse isso que mais doía.
Porque fazia sentido.
Naquela noite, Lívia estava sentada sozinha na sala de casa.
O contrato aberto diante dela.
As palavras pareciam borradas.
Mas uma coisa era clara.
Casamento.
Cláusulas frias.
Objetivas.
Sem emoção.
Sem escolha.
Ela fechou os olhos.
Tentando imaginar como seria sua vida depois disso.
Com ele.
Com aquele homem.
Com aquele olhar cheio de ódio.
Por quê?
Essa pergunta não saía da cabeça dela.
Por que ele a odiava daquele jeito?
O que ela tinha feito?
Ou… o que ele achava que ela tinha feito?
O silêncio da casa parecia mais pesado.
Mais sufocante.
Ela abriu os olhos novamente.
E encarou o contrato.
Sabia o que precisava fazer.
Sabia.
Mas isso não tornava mais fácil.
Muito pelo contrário.
Tornava tudo pior.
Porque agora… era consciente.
Ela pegou a caneta.
A mão tremia.
Droga.
Ela nunca tinha se sentido tão sem controle.
— É só um contrato — murmurou para si mesma. — Só isso.
Mas no fundo…
Ela sabia que não era.
Aquilo não era um acordo.
Era uma sentença.
A ponta da caneta tocou o papel.
E por um segundo…
ela hesitou.
Porque algo dentro dela gritava para não fazer aquilo.
Para fugir.
Para lutar.
Para dizer não.
Mas então…
a imagem do pai veio à mente.
A empresa.
A história.
Tudo.
E com um movimento lento…
ela assinou.
O som da caneta riscando o papel foi baixo.
Mas para ela…
soou como o início de algo irreversível.
No exato momento em que terminou de assinar…
o celular dela vibrou.
Uma mensagem.
Número desconhecido.
Ela abriu.
E o mundo parou.
“Bem-vinda ao inferno, Lívia.”
Um ano depois.Lívia costumava pensar que finais felizes eram feitos de grandes momentos.Declarações em lugares perfeitos.Promessas diante de centenas de pessoas.A sensação de que, depois de uma grande batalha, tudo finalmente ficaria exatamente como deveria ser.Ela estava errada.O verdadeiro final feliz não parecia uma cena de filme.Parecia uma manhã comum.Parecia acordar com Arthur reclamando porque ela havia roubado metade do cobertor durante a noite.Parecia café derramado na mesa.Parecia livros abertos em todos os cantos da casa.Parecia uma vida que não precisava ser extraordinária para ser preciosa.— Você está escrevendo sobre mim?Arthur perguntou.Lívia levantou os olhos do caderno.Ele estava encostado na porta do escritório, segurando duas xícaras de café.Ela sorriu.— Talvez.Arthur colocou uma das xícaras ao lado dela.— Essa resposta significa sim.— Você ficou muito convencido.Ele sentou ao lado dela.— Depois de tudo que aconteceu, acho que tenho direito a u
Seis meses depois.A vida voltou a ter sons simples.E, depois de tudo que haviam vivido, Arthur descobriu que eram justamente esses sons que mais significavam.O barulho de uma xícara sendo colocada sobre a mesa.O riso de alguém na cozinha.A chuva batendo na janela durante uma tarde tranquila.O silêncio confortável entre duas pessoas que não precisavam mais preencher todos os espaços com explicações.Durante muito tempo, ele acreditou que a paz seria algo grandioso.Uma vitória.Uma conquista.Um momento em que finalmente sentiria que havia vencido.Mas a paz não chegou como uma explosão.Ela chegou em pequenas coisas.Como acordar ao lado de Lívia e saber que ela estava ali porque escolheu estar.A casa havia mudado.Não por causa de reformas.Mas porque agora tinha vida.Livros espalhados pela sala.Flores na mesa.Desenhos de Caio emoldurados nas paredes.Fotografias de momentos que antes pareciam impossíveis.Era diferente da antiga mansão dos Vasconcelos.Lá tudo era perfeito
O último dia em Aurora chegou sem cerimônia.Sem câmeras.Sem jornalistas.Sem pessoas esperando uma grande revelação.Apenas um pequeno grupo caminhando pelos corredores que um dia pareceram intermináveis.Arthur segurava a mão de Lívia.Dessa vez, não para guiá-la.Não para protegê-la.Apenas porque queria.E essa diferença significava tudo.O complexo estava quase vazio.As paredes que antes carregavam centenas de telas agora tinham apenas marcas do tempo.Os corredores onde pessoas haviam perdido anos de suas vidas estavam iluminados pela luz natural que entrava pelas janelas abertas.Pela primeira vez, Aurora parecia um lugar comum.Talvez esse fosse o maior sinal de que tinha acabado.Gabriel caminhava à frente com alguns documentos.— O processo de encerramento foi aprovado.Todos os servidores restantes serão desmontados.Os arquivos históricos ficarão no memorial.Nada relacionado aos experimentos continuará ativo.Clara olhou ao redor.— É estranho.Gabriel concordou.— O qu
Durante alguns segundos, Lívia não conseguiu responder.Não porque tivesse dúvidas.Mas porque, pela primeira vez em toda a sua história com Arthur, ela queria guardar aquele instante.Não havia contratos.Não havia ameaças.Não havia famílias decidindo por eles.Não havia um passado empurrando os dois para uma direção que não escolheram.Havia apenas Arthur.Ajoelhado diante dela.Esperando.Escolhendo.Ela olhou ao redor.A antiga Aurora estava diferente.O lugar que um dia representou medo agora carregava flores, luz e lembranças.Caio estaria feliz.Helena teria orgulho.E talvez aquela fosse a maior vitória de todas.Transformar um lugar criado para controlar vidas em um lugar onde duas pessoas podiam escolher uma.Arthur ainda segurava sua mão.— Lívia...A voz dele estava baixa.— Se você precisar de tempo...Ela balançou a cabeça imediatamente.— Não.Ele se surpreendeu.Ela sorriu através das lágrimas.— Eu passei tempo demais esperando respostas.Esperando descobrir quem eu










Último capítulo