O carro parou com suavidade, mas o impacto dentro de Lívia foi tudo, menos suave. Por alguns segundos, ela permaneceu imóvel no banco traseiro, olhando pela janela como se estivesse tentando confirmar que aquilo era real, como se o cenário diante dela pudesse se dissolver se encarasse tempo suficiente, mas não — a mansão continuava ali, imponente, silenciosa, quase ameaçadora na forma como se erguia isolada do resto do mundo, cercada por muros altos e um jardim perfeitamente cuidado que parecia mais uma vitrine do que um espaço vivo.Aquilo não era uma casa.Era território.E, instintivamente, ela soube que estava entrando como intrusa.A porta do carro se abriu antes que ela pudesse reagir, e o motorista apenas fez um gesto discreto, indicando que ela deveria descer. Lívia respirou fundo, ajustou a postura e saiu, sentindo imediatamente o peso daquele lugar se instalar sobre ela, como se o próprio ar fosse mais denso ali, mais controlado, mais… dele.E então ela o viu.Arthur Valença
Leer más