13: Sombras do passado

Pela manhã, Hector acorda e se senta na mesa do café, refletindo sobre o que pode fazer em relação à Ava, já que seus pensamentos o perturbaram a noite toda.

— Bom dia, Hector — Doris diz, se aproximando para servir o café.

— Bom dia — ele responde sem muita animação.

— Você dormiu bem? Parece estar cansado.

— A minha cabeça doeu a noite toda — revela.

— Se quiser, posso trazer um remédio para você — sugere Doris.

— Não precisa — protesta rapidamente, servindo-se de uma xícara de café puro. — Não acho que o que sinto passe com remédio.

Estranhando a declaração dele, Doris fica parada, esperando que ele continue falando, mas Hector fica em silêncio.

— O doutor Mark vai demorar para chegar? — ela pergunta, notando que, se dependesse de Hector, aquela conversa já estaria encerrada.

— Acredito que ele já esteja a caminho. Por quê?

— Tenho uma dúvida em relação aos medicamentos que ele prescreveu para a Ava.

— Que dúvidas?

— Há alguns medicamentos que são injetáveis, e eu fico meio receosa, já que não sou boa com agulhas.

— Entendo… — diz ele, ponderando.

— Você não acha que seria melhor contratar uma enfermeira para esses casos? — Doris propõe, um pouco insegura.

— E quem poderíamos contratar? Precisamos de alguém que possa manter segredo sobre a Ava estar aqui — ele acrescenta, frisando a necessidade de discrição.

Nesse momento, eles são interrompidos por uma voz.

— Com licença.

Mark entra na sala, chamando a atenção de todos.

— Bom dia, senhor Harrison — Doris cumprimenta.

— Bom dia — responde Mark. — Desculpem, não queria interromper, mas ouvi vocês falando sobre contratar uma enfermeira. Estão realmente considerando isso?

— Posso considerar a possibilidade, mas preciso de alguém em quem posso confiar completamente — explica Hector, dando uma olhada para o amigo.

— Conheço alguém que pode ajudar — Mark diz rapidamente. — Minha mãe é enfermeira.

— Sério? — Hector se surpreende.

— Sim, e ela está disponível porque a senhora de quem cuidava, infelizmente, faleceu há um mês. Ela tem estado à procura de um novo emprego desde então.

— Acha que ela aceitaria cuidar da Ava?

— Posso ligar para ela agora mesmo, se você quiser — sugere Mark.

— Se você está indicando-a, acredito que é por ela ser confiável, não é mesmo? — Hector diz, ainda meio desconfiado, mas claramente aliviado por ter uma recomendação de alguém de confiança.

— Pode contar com isso — assegura Mark. — Minha mãe é uma pessoa muito discreta, você gostará dela.

Entrando num acordo, Hector assente.

Satisfeito, Mark faz uma ligação rápida e, em poucas horas, sua mãe chega à mansão Moreau.

A mulher, que aparenta estar na faixa dos quarenta e poucos anos, chega ali um pouco tímida.

— Bom dia, eu sou Charlotte Harrison. — Ela diz, com um sorriso acolhedor. — Meu filho me contou que a sua noiva sofreu um acidente e está precisando de cuidados, estou aqui para ajudá-la.

Hector se aproxima para cumprimentar a mulher, estendendo a mão com uma cortesia um pouco rígida.

— É um prazer conhecê-la, senhora — ele diz, tentando soar agradável, embora não fosse. — Mark é um grande amigo e falou muito bem do seu trabalho. Espero que possa ajudar minha noiva.

Charlotte aceita o cumprimento com um aperto de mão firme.

— Farei tudo que estiver ao meu alcance — ela responde com confiança.

— Perfeito — Hector continua, mas logo seu tom se torna mais sério. — No entanto, antes de apresentá-la à minha noiva, tenho algumas recomendações importantes a fazer.

— Quais seriam? — Charlotte pergunta, inclinando-se ligeiramente para frente, mostrando interesse.

— Devido à gravidade do acidente, minha noiva sofreu um aborto — revela, observando atentamente a reação de Charlotte.

Ao ouvir a palavra “aborto”, os olhos de Charlotte se arregalam, claramente surpresa. Aquela palavra parece acionar uma reação emocional intensa, como se fosse um gatilho.

— Sinto muito, senhor — Charlotte diz rapidamente, tentando esconder o impacto que a notícia teve sobre ela.

— Ela está ciente da perda do bebê, mas perdeu a memória e não se lembra de nada mais do que aconteceu. Por isso, peço que não mencione nada sobre o acidente — Hector instrui, firme, sem deixar espaço para dúvidas. — Seu trabalho será cuidar dela e administrar os medicamentos, fora isso, prefiro que não haja conversas sobre o ocorrido ou qualquer outro assunto pessoal.

Charlotte assente, compreendendo a seriedade das instruções de Hector. Ela já tinha experiência em lidar com situações delicadas e sabia manter o profissionalismo, mesmo quando as circunstâncias pessoais dos pacientes se tornavam conhecidas.

Ao longo de sua carreira, havia se deparado com muitas pessoas que preferiam uma clara separação entre o trabalho e a vida pessoal, como Hector parecia preferir. Embora não fosse fã de pessoas com uma postura tão autoritária como a de Hector Moreau, ela entendia que, sendo amigo de seu filho, provavelmente havia mais nele do que sua aparência altiva sugeria. Assim, ela se prepara para iniciar seu trabalho, comprometida em manter a ética e o respeito pela privacidade de sua nova paciente.

— Tem mais uma coisa — Hector adiciona, chamando a atenção de Charlotte novamente.

— O que é, senhor? — pergunta, pronta para ouvir mais instruções.

— Você precisa garantir que não dirá a ninguém sobre esse trabalho ou sobre a identidade de sua paciente. — Ele fala com uma seriedade que deixa claro o quão crucial é essa condição.

Embora estranhe um pouco o tom que ele usa, Charlotte assente mais uma vez. Manter a confidencialidade era parte essencial de sua ética profissional, então, essa exigência não era um problema para ela.

— Claro, como o senhor desejar — ela responde, mostrando-se completamente disposta a respeitar a privacidade de seu novo emprego.

Apesar de concordar com tudo que Hector pedia, Charlotte nota um ar de preocupação nele. Ela lança um olhar discreto para Mark, franzindo ligeiramente a sobrancelha, questionando-se sobre a situação sem verbalizar suas dúvidas.

Mesmo percebendo o olhar de sua mãe, Mark escolhe ignorá-lo e tenta mudar o foco da conversa.

— Parece que está tudo resolvido então. Podemos subir para o quarto e apresentá-la para a Ava? — ele sugere, querendo facilitar a transição para Charlotte começar seu trabalho.

— Não será necessário, eu já estou aqui.

De repente, a voz de Ava ecoa pelo ambiente, surpreendendo todos.

Charlotte vira-se bruscamente ao ouvir a voz da mulher e, ao vê-la sentada numa cadeira de roda, seus olhos ficam em choque.

— Ava? — Charlotte murmura, dando alguns passos em direção a ela, incrédula. — Ava, é você mesmo?

O jeito surpreso como Charlotte diz o nome de Ava mostra que ela parece conhecê-la de algum lugar, e para Hector, notar aquilo não é nada bom.

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