ANALU
A rua tá estranhamente silenciosa quando eu abro a porta do apartamento novo. O coração ainda acelera toda vez que a chave gira na fechadura.
Três meses.
Já faz três meses desde que a Mari me tirou daquela clínica, desde que me joguei no colo do Cayo na frente da cadeia, desde que a gente começou a correr e não parou mais. E ainda assim, o silêncio me assusta.
Tô acostumada com o barulho dos meus próprios nervos, com a sensação de que alguém vai aparecer a qualquer momento.
O apartamento não é nada demais.
Um quarto, uma sala que mal cabe um sofá de dois lugares, cozinha americana minúscula e uma janela que dá de frente pra um posto de gasolina. À noite, a luz do letreiro ilumina o quarto de laranja.
Mas é meu.
Nosso.
Comprei financiado, e vamos ter longas e altas parcelas pela frente, mas é nosso refúgio. Depois de tudo que a gente passou – a clínica, a cadeia, as mentiras dos meus pais, a perseguição – eu nem acredito que tô colocando uma sacola de mercado em cima da me