Cayo
Ela chegou com um ar estranho. Tava desde a tarde com aquele olhar distante, aquele sorriso que não chegava nos olhos. Eu pensei que fosse cansaço, preocupação com o Zyon, sei lá. A gente botou o moleque pra dormir, ele capotou rápido depois do dia inteiro brincando, e aí a gente se sentou na sala, no silêncio que só tem quando ele tá dormindo.
O silêncio é diferente.
Mais pesado.
Ela não conseguiu segurar por muito tempo. Olhou pra gaveta da cozinha, aquela porcaria que não abre direito, e depois me encarou.
— Cayo… chegou uma coisa pra você hoje.
A voz dela tava baixa, meio trêmula. Meu corpo inteiro ficou em alerta. Nada que começa assim termina bem.
— O quê?
Ela levantou, foi até a gaveta, e com um jeito forçado puxou um envelope grosso de papel pardo. Aquele tipo de envelope. Eu nem precisei ver o carimbo pra saber. O estômago virou. Cartório. Guarda. A Gabi não perdeu tempo.
Peguei o envelope das mãos dela. Era pesado. Senti o ódio subindo, quente e familiar. Ela sentou d