ANALU
Não foi um envelope. Foi um pacote. Um maço de papel com grampo, cheio de palavras que pareciam em outra língua. “Intimação”, “Audiência de Conciliação”, “Guarda Provisória”, “Bem-estar da Criança”. O carteiro entregou com aquela cara neutra de quem tá só cumprindo ordens, mas os olhos dele escanearam o apartamento, o corredor simples, a minha cara pálida na porta. Eu senti a vergonha como um soco, seguida de um medo gelado. A justiça oficial, aquela que tem carimbo e assinatura, tinha c