Cayo
Meu filho tá em casa. Essa frase ainda não colou direito na minha cabeça. O Zyon tá aí, no canto da sala, montando um quebra-cabeça que a Analu comprou pra ele. O silêncio é diferente. Não é aquele silêncio pesado de esperar o próximo desastre. É um silêncio gostoso, cheio da respiração dele, do barulhinho das peças de papelão se encaixando.
Ele tá tranquilo.
Sorri pra gente quando a gente passa, pergunta coisas bobas sobre como funciona o fogão, fica vidrado nos desenhos na TV velha. E ele não fala dela. Nem uma vez. Nem “quando eu voltar pra casa da mamãe”, nem “a mamãe falou isso”. Nada. Isso me corta por dentro e me acalma ao mesmo tempo. Corta porque devia doer nele, esse silêncio todo. E acalma porque, pelo menos aqui, agora, ele parece estar num lugar seguro. Longe dos gritos, das cenas.
A Analu tá na cozinha fazendo um bolo. Errou a medida de fermento e a massa tá mais pra tijolo, mas o cheiro doce tá tomando o apartamento todo. Ela ri das próprias trapalhadas, e o Zyon