LARA
O som da mala sendo aberta quebra o vazio, mas esse ruído soa como uma afronta. Como se até as malas estivessem revoltadas com as palavras da minha mãe.
Meus dedos percorrem o zíper com uma lentidão ensaiada. Não porque eu não saiba o que levar, mas porque não quero admitir o que isso significa.
Não estou fugindo.
É o que repito como um mantra.
Estou apenas me afastando.
Me dando espaço para não gritar.
Para não quebrar.
Para não dizer mais do que já disse.
Ou pior: para não implorar por a