Estou na minha sala, o telefone colado ao ouvido, tentando manter a atenção na conversa com um cliente que parece não ter fim. Anoto algumas observações rápidas na agenda quando a porta se abre devagar, e Ângelo aparece, segurando uma pasta de documentos. Seu rosto traz aquela expressão típica de quem tem algo importante para dizer, mas não sabe bem como.
— Desculpe interromper — ele começa, a voz baixa. — Mas tem alguém querendo falar com a senhora.
Cubro o fone com a mão e olho para ele.