SEBASTIAN
O dia amanhece, e a claridade que entra pela janela do quarto parece zombar de mim. Estou preso nesse leito, com um corpo que não reconheço como meu e uma vida que não me pertence. Uma enfermeira entra, ajeita as cortinas e me olha com o sorriso ensaiado de quem lida diariamente com pessoas quebradas.
— Senhor Montenegro, sua mãe está a caminho do Brasil. — Ela pausa, como se testasse a minha reação, depois acrescenta: — Tentamos ligar para sua esposa, mas demorou um pouco para a