A cidade parecia um borrão lá fora, fiquei no piloto automático, ainda trêmula. Por mais que eu tentasse afastar a imagem de Henrique me cercando contra a parede — seu rosto próximo do meu, a ameaça camuflada em cada palavra —, meu corpo não obedecia. As pernas pareciam de vidro e o coração, uma sirene silenciosa. Eu tentava respirar fundo, tentar me lembrar de que ele tinha ido embora, que o porteiro viu, que eu estava bem. Mas nem sempre o corpo acompanha a lógica. E naquele dia, ele insist