Mundo de ficçãoIniciar sessãoApós o que Kostas revelou, o silencio que se estava a fazer sentir era insuportável, ninguém se mexia, ninguém respirava.
Rebeca volta a reagir.
- Pai, isso muda tudo, pois eu estou a ser prejudicada – diz Rebeca, vitimizando-se – Isto é falso, é manipulação da Marina, tu sabes como é que ela é – diz Rebeca com uma voz meiga falsa, fazendo-se de vítima
Kostas fica calado.
- Concordo – diz o Josué e Marina fica imóvel, petrificada e Kostas aperta a cintura dela – Vamos pedir uma perícia técnica ao vídeo – diz Josué e Marina relaxa o corpo, ela não percebeu as intenções do avô – Ninguém acusa a minha neta assim – diz Josué e Rebeca olha para ele
- Mas vovô – diz ela a olhar para Josué
- Eu não sou teu avô – diz Josué e faz sinal para o levarem dali – Chega de espetáculo – murmura Josué
O rosto de Rebeca perdeu a cor com as palavras de Josué, ela sempre soube que ele nunca a viu como neta, mas nunca o tinha verbalizado daquela forma, e todos a encaravam.
Diogo olhava para o chão, ele não tinha coragem de encara ninguém. Era a covardia dele a falar sem dizer uma única palavra.
Naquele momento eu renascia, e dentro de mim crescia um novo sentimento, frieza.
- Não precisam de mandar nada para a perícia – diz Rebeca depois de momentos em silêncio, a pensar, a ponderar e todos a encaram
- Para mim o assunto está encerrado – diz Marina com um tom de voz quase que irreconhecível, pois era firme, controlado, frio.
- Marina, podemos conversar? – pergunta Rebeca em choque com o que a voz dela transmitiu
- Não – responde Marina com o mesmo tom
Pela primeira vez, Marina não cedeu, não foi a irmã mais velha que cedia sempre para a mais nova. Ela estava diferente, irreconhecível, perigosa e cruel.
- Isto está a ir por um caminho que não deve – diz Mário que estava em silêncio há muito tempo
- Não concordo – responde Marina enfrentando o pai pela primeira vez – Isto está finalmente a entrar no caminho que nunca devia ter saído – responde ela a olhar para o pai e os olhos de Mário estreitam-se.
Ele não gostou e a raiva dele é evidente.
- Marina, isto fica por aqui, não queres nenhum escândalo – diz Lúcia, colocando-se como sempre do lado da filha dela, independentemente de ela ter ou não razão
- Isto ainda agora começou – responde Marina, não se vergando, não baixando a cabeça para a madrasta como era habitual
Kostas percebe e dá um passo em frente, de forma discreta, mas suficiente para Mário perceber o gesto claro que ele fez. Kostas estava ao lado de Marina, e isso todos perceberam. Ele aperta ligeiramente a cintura dela.
Um gesto discreto, mas firme, a aliança deles também era para se defenderem um ao outro. E isso era real. Ele mostrava isso a Marina.
Naquele momento Marina percebeu, o jogo mudou e ela estava a ganhar.
O salão estava agitado, muitos murmúrios eram audíveis, mas eram impercetíveis. O ambiente mudou com o que foi dito. O ar era pesado, sentia-se o julgamento que cada um fazia, havia curiosidade no ar, medo. Marina sentia isso, de forma clara, ela via isso nos olhares, que antes eram de pena e desprezo, mas, agora não, eram olhares de respeito, cautela, admiração.
Ela estava com Kostas ao lado, que estava imóvel, ele agia como se tudo aquilo não fosse importante, agia como se aquilo fosse algo normal, que acontecesse todos os dias.
A mão dele ainda estava na cintura de Marina, firme, quente, inabalável.
E, antes, aquilo incomodaria Marina, mas agora não. Ela sentia-se estável, segura, protegida, por mais estranho que isso possa ser ou parecer.
- Já chega – diz Mário saindo finalmente do transe em que estava com uma voz controlada e calam – Esta situação acabou – diz ele de forma firme tentando mostrar a autoridade dele
- Não – responde Marina enfrentando o pai como nunca o fizera, mas com uma calma inabalável – Esta situação começou agora – responde ela ao pai.
O olhar de Mário voltou-se para Marina, era um olhar frio, distante, calculista.
- Tens a noção do que fizeste? – pergunta Mário à filha num tom baixo e que só ela ouviu
- Claro que sim – responde Marina com um sorriso – Tenho a perfeita noção do que fiz – responde ela de forma provocatória para o pai
- Marina, tu casaste com um estranho – rosna Mário para a filha de forma discreta e só ela ouviu
- Não, eu corrigi um erro – responde ela sempre com um sorriso nos lábios e Kostas apenas a observa e sorri
O silêncio entre pai e filha voltou a sentir-se, e era cada vez mais pesado.
- Sempre foste impulsiva – diz Mário aa olhar para a filha com reprovação
Marina sorri. Respira fundo.
- Isso é engraçado vir da sua boca – diz ela a sorrir – Nunca me deu espaço para não o ser, nunca me deu espaço para eu ser outra coisa - responde-lhe ela e aquilo atinge em cheio, pois ele nunca pensou que ela visse as coisas como elas eram, ele sempre pensou manipular a filha com as palavras falsas dele.
No outro lado da sala, Rebeca estava completamente descomposta e a ser amparada pela mãe. Ela tinha o rosto manchado, olhos cheios de lágrimas, ela sentia muita raiva e sentia-se humilhada, e pela primeira vez ela tinha sido humilhada por Marina.
Diogo já não estava presente, ele fugiu da vergonha. Ele era covarde.
- Isto não fica assim – diz Rebeca a olhar para Marina
A voz dela tremia de ódio.
- Já ficou – responde-lhe Marina, sempre com uma postura firme, calma e muito fria
- Tu roubaste tudo o que era meu – responde Rebeca e todos os que ainda estavam presentes a encaram com espanto e surpresa.
Marina inclina ligeiramente a cabeça e sorri.
- Roubei? – pergunta Marina fingindo indignação com um tom irónico – Eu apenas não te deixei ficar com o que nunca foi teu – diz Marina encarando a irmã com um ar de superioridade, marcando ali a diferença entre elas – Tu não tens nada – diz Marina com um tom frio, e cruel.







