[CHAPTER 6] – TUDO TEM CONSEQUÊNCIAS

POV de Marina Vasques

- Roubei? – pergunto fingindo indignação com um tom irónico – Eu apenas não te deixei ficar com o que nunca foi teu – digo a minha encarando a irmã com um ar de superioridade, marcando ali a diferença entre elas – Tu não tens nada – digo com um tom frio, e cruel.

Rebeca avança na minha direção.

Kostas percebe e move-se discretamente mas o suficiente para me defender e não permitir que Rebeca se aproxime de mim.

- A conversa termina aqui – diz Kostas, num tom baixo, firme, mas autoritário.

Mário hesitou com o tom dele, Rebeca riu com amargura.

- Tu não sabes com quem te meteste – diz Rebeca para Kostas e ele olha para ela e ri de forma discreta, mas irónica

- Estás enganada – diz-lhe costas de forma séria – Se alguém nesta sala sabe com quem eu me meti, sou eu, eu sei exatamente com quem eu me meti – diz ele e olha para o meu pai

O olhar de Kostas metia medo a qualquer um e Rebeca recuou assim que ele a encarou. Eu vi o medo no olhar dela, do meu pai, da minha madrasta. Eles tinham medo de Kostas.

- Vamos, querida esposa – disse-me costas e aquilo me fez arrepiar por completo, as palavras dele mexeram comigo, eu senti, o perigo, mas senti a segurança de estar do lado dele.

Eu fui com ele, sem dizer uma única palavra.

Nós saímos do salão juntos, em silêncio, a nossa postura fria e firme, não precisava de palavras para que todos ficassem em silêncio, pensativos, apreensivos, receosos e principalmente com medo.

Assim que saímos e chegamos ao exterior, eu respiro fundo, não uma, mas várias vezes, eu preciso de me acalmar.

- O que acabou de acontecer ali? – murmuro e viro-me para ele ficando perigosamente perto do corpo dele – Tu sabes quem é a minha família? – pergunto-lhe, mas eu já sabia a resposta.

- Sim – ele responde-me mesmo sabendo que eu sabia a resposta

- Porque me queres ajudar? – pergunto-lhe, pois, eu não percebo o que ele realmente quer de mim

- Porque não gosto de mentiras, muito menos de mentiras mal feitas – responde-me ele e solta uma pequena risada como que a recordar o que se tinha passado no salão

- Isso não é a resposta que eu quero e que eu preciso de saber– digo-lhe e ele encara-me e dá um passo na minha direção e quase que cola o corpo dele ao meu

- Mas é o que vais saber, por agora e para já – responde-me ele e fica um silêncio entre nós, mas não era um silêncio desconfortável

- Foi por saberes quem era a minha família que voltaste, depois de me dizeres que não – digo-lhe num tom de pergunta, pois eu sabia que era por eles e não por mim

- Isso é obvio – responde-me ele num tom frio e ele olha para mim com muita atenção – Saber quem eras mudou tudo – diz-me ele e eu respiro fundo – Mudou o jogo, para ti e para mim – diz-me ele com sinceridade e eu tinha que concordar com ele, pois ele, tinha razão.

Kostas respondeu-me de forma direta, honesta, sem romantismos, sem meias palavras, mas com muitas intenções escondidas, mas isso não me assustou, apenas me deixou alerta, pois eu teria de ter muita atenção agora, ele não era um homem simples que fugia, como eu pensei no dia que o conheci e propus o contrato de casamento. Kostas era tudo menos um homem comum.

Curiosamente eu respeitei as intenções dele.

- Então isto é um jogo para ti? – pergunto-lhe sem nunca desviar o olhar do dele

- Na vida tudo é um jogo, minha querida esposa – responde-me ele com um sorriso que me arrepia, que me deixa sem defesas.

Eu cruzo os braços em cima do peito. Eu não concordo que tudo seja um jogo.

- Para mim não é – respondo-lhe de forma firme

Ele sorri com ironia.

- Ainda não aprendeste nada – diz-me ele – Minha querida, ainda tem muito que aprender comigo – responde-me ele de forma enigmática – Tu ainda não percebeste nada do que se passa à tua volta? – pergunta-me ele e eu fico sem palavras, sem respostas, eu tinha muitas perguntas, e nem sabia como as fazer, como lhe fazer as perguntas certas para ele me dar as respostas que eu precisava

A frase dele tirou-me o ar, o chão.

Será que eu não aprendi nada mesmo, ele consegue deixar essa dúvida na minha cabeça. Ele era misterioso, intrigante.

- Perceber o quê? – pergunto-lhe insegura, mas decidida

Kostas aproxima-se de mim, ainda mais, e ele estava com a boca dele perigosamente perto da minha, mas ele desvia o caminho da minha boca para o meu ouvido, e eu fico completamente arrepiada e ele percebe, ele sorri.

- Que a tua família já está a jogar há muito tempo, e tu tens sido uma mera peã – diz-me ele e o meu coração b**e acelerado e falha batimentos, não sei se pela proximidade dele se pelas palavras dele, mas eu não consigo controlar o meu batimento cardíaco

- O que queres dizer com isso? – pergunto-lhe e ele afasta-se de mim

- Vais ser tu a descobrir – responde-me ele de forma enigmática e pela primeira vez eu senti que tudo o que me rodeava, todas as atitudes do meu pai, da minha irmã, da minha madrasta e talvez do meu avô, eram para algo muito maior que eu ainda não sabia, eu tinha estado afastada de todos os planos deles estes anos todos.

Naquele momento senti-me ingénua, traída mais uma vez.

Eu fico sem palavras, sem reação, sem respostas e com cada vez mais duvidas, mais perguntas, mas eu com Kostas ao lado sentia-me estranhamente segura, apoiada, atraída, mexida. Ele despertava em mim sentimentos que eu desconhecia até então.

Eu não sabia se isso seria bom ou mau, mas eu sabia que tinha entrado num jogo muito mais poderoso e perigoso que eu esperava.

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