Mundo ficciónIniciar sesiónPOV de Marina Vasques
Eu não percebi porque o meu pai e a minha irmã ficaram com aquela cara assim que ouviram o nome de Kostas, mas a minha vontade é rir. E depois de os ter visto rir da minha cara e de terem pensado que me tinham destruído eu sinto que já não estava a perder a guerra, eu estava a dar a volta por cima e isso era claro nos rostos deles.
No salão estavam todos sem palavras, nem murmúrios se ouviam, o meu anúncio foi bombástico.
- Não sabia que estava em Espanha – diz o meu pai depois de um enorme silêncio
- Curioso, nem eu – diz Kostas a olhar para o meu pai e com um leve tom de ironia – Até há uns dias – diz Kostas e o meu pai volta a ficar em silêncio e noto a forma como ele fica tenso, sem palavras, pensativo e o meu avô olha para ele de uma forma estranha, como que o estivesse a ler, a analisar, ele também percebeu a forma estranha com que o meu pai agiu.
Eu olho para os dois e não consigo dizer nada, pois aquilo era uma surpresa também para mim, Kostas conhecia o meu pai. Estava-me a escapar algo, e eu iria descobrir assim que conseguisse falar com o meu noivo a sós.
- Marina – diz-me o meu pai num tom baixo, controlado e inseguro, o que é novo para mim – Isto não é uma decisão que possas tomar assim – diz-me ele e eu apenas consigo sorrir de forma irónica
- Curioso, eu não posso, mas, Rebeca pode – respondo-lhe e todos notam a mágoa na minha voz
As minhas palavras foram certeiras e todos começam a murmurar entre si, e, algumas questões se levantam, e a principal é o motivo de Rebeca casar com o meu suposto noivo e eu aparecer casada com um desconhecido, ou afinal não é desconhecido. Houve traição, se ouve, quem traiu quem?
- Marina, eu queria poupar o avô de saber que tu és uma leviana – começa Rebeca a falar depois de um grande silêncio e que ninguém sabia o que dizer ou o que dizer – Eu não queria que ele soubesse que tu andavas enrolada com esse homem – diz ela vitimizando-se e eu apenas nego com a cabeça e começo a sorrir de forma irónica
- Isso é mentira – diz Kostas ao meu lado e segura a minha cintura de forma leve apenas para mostrar o seu a apoio e eu olho para o meu avô, ele analisa todos em silêncio – Se houve traição não foi por parte de Marina – diz ele de forma calma, tranquila, mas firme e seguro do que dizia
Rebeca ri, mas de nevosa e olha para o nosso pai como que a pedir ajuda, mas o meu pai está totalmente paralisado a olhar para Kostas.
Eu começo a pensar que eles se conhecem, e que o meu pai não gostou nada de me ver casada com ele, isso é bom, acho eu.
Os murmúrios não paravam, e eu era o alvo.
- Porque tem de ser Marina a trair e não Rebeca? – diz Kostas com um tom firme e ligeiramente duro
- Não, Kostas – sussurro para ele e vejo o meu avô a cruzar os braços em cima do peito
- Também faço a mesma pergunta – diz o meu avô num tom cansado, debilitado, mas ainda assim firme
Todos olham na direção do meu avô.
- É melhor terminarmos com esta conversa – diz Lucia que sabia perfeitamente bem que a filha não iria passar impune caso a conversa de alongasse
- Senhora, a sua filha começou – diz Kostas, firme, decidido e de forma séria
- Isto é ridículo – diz Rebeca ao ver o apoio da mãe – Não há mais nada para se conversar – diz ela tentando desesperadamente encerrar o tema
- É? – pergunta Kostas num tom mais irónico para Rebeca e de forma lenta ele tira o telemóvel dele do bolso – Talvez isto ajude a reavivar memórias e encerrar o tema – diz ele e liga um vídeo.
A imagens eram claras, sem margem para duvidas.
Rebeca e Diogo juntos, na casa de banho do quarto do hospital onde Josué estava internado, aos beijos, aos toques. Já não havia mais duvidas, não havia desculpa possível.
Fez-se um silêncio pesado no salão, e, de certa forma confrangedor, a imagem de Rebeca tinha ficado irreversivelmente manchada.
Eu observava todos e intercalava os meus olhos entre o meu avô, o meu pai, a minha madrasta, Diogo e Rebeca, todos eles estavam imóveis, sem palavras.
Eu fiquei em silêncio e não mostrei emoção, mas por dentro eu estava ferida, todos naquele momento ficaram a saber que eu tinha sido traída por eles, e eu vi o olhar de apreensão, estranheza, confusão no meu avô.
Eu agora tinha muito que lhe explicar, tinha de ser convincente o suficiente para ele acreditar em mim e não perceber o tipo de casamento que eu tinha feito com Kostas.
- Este vídeo é mentira! – diz Rebeca num tom mais alto que ela estaria a contar, ela tremia, ela tinha os olhos cheios de lágrimas – Esse vídeo não prova nada, isso é tudo montagens – afirma ela de forma desesperada e Kostas ri
- Isto prova tudo – diz Kostas e olha para o meu avô que permanece sentado, em silêncio, apenas a encarar-nos
Diogo, está imóvel, em silêncio ao lado do meu pai que ainda não se conseguiu pronunciar.
- Isto não muda nada – finalmente diz o meu pai, mas num tom trémulo – Marina casou, está casada, Rebeca ficou noiva e vai casar – diz o meu pai e volta a ficar em silêncio
Mas aquilo mudou tudo, ele sabe, as palavras dele foram apenas mais um jogo do meu pai, um jogo que tinha acabado de começar e que eu é que dava as cartas e que eu não o iria perder, de forma alguma
Eu mantinha-me imóvel, e, por dentro eu, reorganiza-me, como peças de um puzzle que se começava a encaixar. Mas havia uma peça que não encaixava, de onde o meu pai conhecia Kostas, porque era evidente que eles sabiam perfeitamente bem quem eram.







