Após tentar descansar, algo que não consegui fazer, os dias foram passando. A tal da Lira não me procurou, e eu também não a procurei. Era muito dinheiro para deixar escapar e acabar indo para um orfanato. A todo instante me perguntava se deveria procurá-la e propor um acordo entre nós, uma espécie de manual de sobrevivência. Afinal, um ano não era um dia. — E aí, Rangel? Vai deixar toda aquela herança para um orfanato? — Silvio perguntou, divertido. Revirei os olhos e soltei um suspiro irritado. — Você é meu melhor amigo e conselheiro, mas está sendo péssimo nos dois papéis. Para você é fácil falar. Não será você quem vai colocar uma mulher desconhecida debaixo do mesmo teto. Vou ter que apresentá-la à sociedade, fingir que a amo, quando, na verdade, mal consigo suportá-la. Silvio deu de ombros. — Então faça um acordo com ela. Se não for uma gata-borralheira perdida, umas aulas de etiqueta resolvem. Na frente dos outros vocês fingem amor e carinho. Em casa, vivem como amigos. A
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