CAPÍTULO 68 – A SOMBRA DO PAPEL

MAYA

O som do interfone não foi apenas um ruído metálico cortando o silêncio; foi o som de um vidro blindado se estilhaçando. Senti o chão sumir sob meus pés, uma vertigem tão forte que precisei me apoiar no encosto do sofá, o mesmo lugar onde, horas antes, eu acreditava ter encontrado um porto seguro. O ar da sala, que ainda guardava o calor da nossa entrega e o perfume do nosso momento, tornou-se subitamente gélido, carregado com o peso do Estado batendo à nossa porta.

Arthur segurava o fone
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