MAYA
O silêncio do quarto de hospital tinha um peso diferente daquele que nos sufocou nos últimos dias. Não era mais o silêncio do medo absoluto, daquela expectativa cruel que faz o peito doer a cada respiração; era o silêncio sagrado da vida se restabelecendo, gota a gota, naquele ambiente asséptico. A luz do fim de tarde entrava de lado pela janela, pintando as paredes de um tom dourado e suave, quase como se o próprio universo estivesse pedindo desculpas pela tempestade que armou lá fora.
Eu