Depois de alguns segundos de silêncio, segundos que pareceram longos demais para quem ainda sentia o impacto do quase tombo, Cássio levantou Malu com cuidado, como se ela fosse feita de algo frágil demais para ser apressado.
Ela piscou algumas vezes, tentando reorganizar os pensamentos, o frio, a surpresa… ele.
Tudo o que conseguiu dizer foi:
— Obrigada.
A voz saiu baixa, quase engolida pelo cachecol.
Cassio apenas assentiu com a cabeça, sem sorrir, sem ironia, sem pressa. Continuou segurando o braço dela, como se aquele fosse agora o lugar natural da mão dele.
— Eu posso te ensinar a patinar.
— Eu acho que consigo sozinha — Malu respondeu, tentando se desvencilhar, mais por orgulho do que por convicção.
O movimento, porém, teve o efeito contrário. O patim escorregou, o corpo inclinou, e ela perdeu o eixo de novo.
Cássio a segurou pela cintura com naturalidade, como se aquele gesto já fosse um hábito antigo.
— Vem — disse baixo, quase perto demais. — É mais divertido a dois.
Ela hesito