Cássio pediu ao taxista para descerem antes do destino final.
— Prefiro andar um pouco — disse. — Se estiver tudo bem pra você.
Malu assentiu.
O Central Park estava quase vazio. A iluminação suave desenhava sombras longas no caminho, e o frio parecia menos agressivo ali dentro, como se Nova York tivesse abaixado o tom de voz.
Eles caminharam lado a lado, sem se tocar.
À frente deles, a Bow Bridge surgia delicada, quase etérea sob as luzes.
Cássio percebeu Malu tentando aquecer as mãos dentro do bolso do casaco.
— Toma — disse, estendendo as luvas. — Tá muito frio.
— Está mesmo... mas eu quero que esfrie mais — ela respondeu, colocando-as. — Aliás… eu quero que neve.
— Nevar em dezembro… — ele começou.
— …é muito raro — ela completou, fazendo uma meia careta que arrancou uma risada sincera dele. — Eu sei. A Francine já me falou. Mas eu acredito em milagres de Natal.
Cássio parou por um instante.
— Então eu também vou acreditar — disse, olhando nos olhos dela. — Se você voltar pra mim.