Malu acordou com a agitação da rua lá embaixo, carros passando, buzinas ocasionais, gente conversando no ponto de ônibus.
Aquela música urbana que vinha da janela aberta.
Ficou alguns minutos encarando o teto, quieta, até o primeiro pensamento perigoso aparecer:
O beijo.
O beijo quente, lento, viciante.
O beijo que ela não deveria ter dado, mas também não conseguiu nem por um segundo evitar.
E junto com o beijo, veio a cena patética: ela expulsando o homem do apartamento como se estivesse contendo um incêndio criminoso.
— Meu Deus do céu… — murmurou, apertando os olhos. — Eu sou uma vergonha nacional.
Tentou se convencer de que não era, mas a lembrança da mão dele na nuca, do beijo lento que a fez derreter inteira… não ajudava.
Depois de um tempo, levantou com um suspiro dramático e decidiu fazer a coisa mais “terapia caseira” possível: bolo.
— Café fresquinho e um bolo resolvem qualquer vida emocional bagunçada — decretou.
Foi até a pequena cozinha, abriu as portas dos armá