Francine chegou no apartamento de Malu no meio da tarde, usando óculos escuros enormes, uma bolsa de grife pendurada no braço e uma energia de quem precisava urgentemente despejar fofoca.
Bateu na porta três vezes, com o ritmo de quem exige entrada imediata.
Malu abriu.
— Graças a Deus! — Francine entrou sem pedir permissão, tirando os óculos. — Eu precisava vir antes que eu explodisse. Sério.
Malu riu, fechando a porta.
— Você tá com cara de quem viu um fantasma.
— Não, pior — Francine jogou a bolsa no sofá. — O novo cozinheiro do Dorian.
Malu ergueu a sobrancelha.
— Ué, ele cozinha mal?
— NÃO! Cozinha bem até demais! — Francine jogou as mãos no ar. — Mas… não tem o tempero da minha Maluzinha. — Ela agarrou o rosto da amiga com um exagero dramático. — Não tem o toque, não tem a alma, não tem o… como que fala? O amor de cozinheira fodida da vida.
Malu gargalhou.
— Obrigada pelo “fodida da vida”.
— Você entendeu!
As duas riram.
A energia na sala era de reencontro, bagunça, saudade, amo