283 - Fofoca e café

Francine chegou no apartamento de Malu no meio da tarde, usando óculos escuros enormes, uma bolsa de grife pendurada no braço e uma energia de quem precisava urgentemente despejar fofoca.

Bateu na porta três vezes, com o ritmo de quem exige entrada imediata.

Malu abriu.

— Graças a Deus! — Francine entrou sem pedir permissão, tirando os óculos. — Eu precisava vir antes que eu explodisse. Sério.

Malu riu, fechando a porta.

— Você tá com cara de quem viu um fantasma.

— Não, pior — Francine jogou a bolsa no sofá. — O novo cozinheiro do Dorian.

Malu ergueu a sobrancelha.

— Ué, ele cozinha mal?

— NÃO! Cozinha bem até demais! — Francine jogou as mãos no ar. — Mas… não tem o tempero da minha Maluzinha. — Ela agarrou o rosto da amiga com um exagero dramático. — Não tem o toque, não tem a alma, não tem o… como que fala? O amor de cozinheira fodida da vida.

Malu gargalhou.

— Obrigada pelo “fodida da vida”.

— Você entendeu!

As duas riram.

A energia na sala era de reencontro, bagunça, saudade, amo
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