O chalé estava envolto por um silêncio estranho naquela manhã.
Não era o silêncio de paz — era o silêncio que antecede a queda de algo grande demais para ser ignorado.
Camila sentia isso no corpo antes mesmo de entender com a mente.
Ela estava sentada à mesa da cozinha, com as mãos pousadas sobre a barriga, quando ouviu o som do carro estacionando do lado de fora. O coração acelerou de imediato. Ricardo levantou-se do sofá num impulso, o olhar atento, tenso.
— É ele — disse, em voz baixa. — Caio.
A porta se abriu segundos depois.
Caio entrou com o rosto fechado, mais sério do que nunca. Não havia o sarcasmo habitual, nem o sorriso torto. Apenas um cansaço profundo… e culpa.
— Precisamos conversar — disse ele. — E não dá mais pra adiar.
Camila sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Então fala — respondeu Ricardo, cruzando os braços. — O que você sabe que ainda não teve coragem de dizer?
Caio respirou fundo, como quem decide atravessar um ponto sem volta.
— Eu menti… quando disse qu