A presença da polícia mudou tudo.
O chalé, que até então havia sido refúgio, tornou-se palco de revelações que Camila jamais imaginou enfrentar de forma tão direta. A delegada observava cada detalhe, enquanto um dos policiais anotava tudo em silêncio.
Camila estava sentada no sofá, com uma manta sobre as pernas e as mãos firmes sobre a barriga, como se aquele gesto fosse a única coisa capaz de mantê-la inteira.
— Camila — disse a delegada, com um tom firme, mas respeitoso. — Preciso que você me conte, desde o início, como esse contrato foi apresentado.
Ela engoliu em seco.
Ricardo apertou sua mão, em silêncio, dando-lhe força.
— Eu… — Camila respirou fundo. — Eu aceitei porque parecia simples. Um acordo claro. Eu ajudaria um casal a realizar o sonho de ter um filho… e teria condições de recomeçar minha vida.
A voz falhou, mas ela continuou.
— Nunca me falaram sobre aditivos. Nunca me disseram que eu perderia o direito de decidir sobre meu próprio corpo.
A delegada anotou algo e assent