Mundo de ficçãoIniciar sessãoFicamos longos segundos presos naquele olhar, algo mais forte que eu me puxava para perto de Alexander... não conseguia compreender.
Como alguém que eu acabara de conhecer podia despertar tantas sensações, era muito inquietante.
Luna dormia profundamente, abraçada ao ursinho gasto, o peito subindo e descendo num ritmo calmo. Fechei a porta do quarto com cuidado, Para garantir que nada atrapalhasse seu sono.
Me aproximei lentamente dele em silêncio, até que estávamos próximos a janela que finalmente fora aberta como se fosse um convite para a noite entrar. O que trazia um ar ainda mais convidativo ao momento.
— Não conseguiu dormir? — finalmente perguntou, quebrando o silêncio que se perpetuava entre nós.
— Coloquei Luna para dormir e fiquei admirando seu sono um tempo, ela dorme tão serena — respondi desviando o olhar, tentando não demonstrar o quanto ele mexia comigo.
Ele se aproximou ainda mais, de forma lenta. A luz fraca destacava as sombras marcadas do rosto, os olhos claros que pareciam absorver tudo ao redor e me atraia mais do que gostaria. Seu olhar parecia a todo segundo querer revelar algo.
— Desde que chegou... iniciou ele – Algo nessa casa mudou é como se a luz que um dia fora roubada tivesse retornado.
Engoli em seco, as palavras dele pareciam concordar com as de Luna.
- Luna disse algo semelhante... Eu não compreendo o que vocês querem dizer. - disse, respirando fundo.
- Você sabe que não somos uma família comum, não sabe? - Perguntou ele, me encarando como quem calculava cada atitude que eu poderia tomar.
- Sim, vocês são diferentes eu senti isso em cada detalhe, mas...
- Não somos humanos Laurie. – Disse ele.
- O que você tá dizendo? Isso não faz nenhum sentido - disse, trêmula e temerosa.
- Eu sou um vampiro.
Dei alguns passos para traz incrédula com o que acabara de ouvir, muito coisa estranha estava acontecendo, mas, isso... O pressentimento que tivera, mas não poderia ser verdade. Eu estava diante de um homem louco?
- Sr. Gardner, isso é loucura – Disse em sobressalto, e principalmente temendo sua reação.
- Eu sei que parece, mas você vai entender. Eu não te escolhi aleatoriamente, você foi enviada de volta pra mim.
Alexander se aproximou, cada passo firme, silencioso. Meu corpo inteiro ficou atento. Engoli em seco.
Eu corri, entrei no elevador fui direto ao meu quarto e tranquei a porta. Comecei arrumar minhas coisas, queria sair ir embora daquele lugar louco, mas algo dentro de mim me prendia a ele, a Luna e aquela casa. O mesmo sentimento que me fizera ir até lá, agora não me permitia sair.
Como pode ser? O que está acontecendo? - Repetia essas perguntas a mim mesma, tentando buscar algo de racional diante de tudo isso.
Respirei fundo, e mesmo com muito medo decidi voltar até ele para continuar a conversa. Enfrentando as incertezas e mais uma vez obedecendo aquela força estranha que me prendia ali.
— Tudo que disse parece loucura, mas algo dentro de mim exige que eu fique, uma força me prende aqui. Me ajuda a compreender isso? - Falei, aproximando me outra vez dele, que agora observava atentamente a lua.
— Há muito tempo sua alma fez parte disso, mas você foi arrancada de nós... Você consegue sentir? - Respondeu ele, virando-se pra mim.
Ele me puxou contra o peito, os olhos dele desceram lentamente até minha boca. O tempo pareceu desacelerar. Minha respiração falhou quando senti seus dedos tocarem meu pulso de forma suave, quase reverente.
A sensação de sentir seu polegar deslizando pela pele sensível do meu pulso fez com que um arrepio violento percorresse todo meu corpo. Percebi ele fechando os olhos por um segundo, parecendo lutar contra um impulso feroz.
Levantei o rosto, o coração batendo tão forte que parecia denunciar tudo o que eu sentia naquele instante.
— Sinto — respondi. — Mas ainda não consigo compreender.
A mão dele subiu devagar, tocando meu queixo, erguendo meu rosto. O toque era contido, mas carregado de uma tensão quase incontrolável. Seu rosto se aproximou, tão perto que senti sua respiração fria misturada à minha quente.
Nossos narizes roçaram.
Seus lábios pairaram a um fio de distância dos meus.
— Não consigo resistir— murmurou. — Mas se eu provar você…
Ele parou.
A mandíbula se contraiu, os olhos brilharam de forma sobrenatural por um breve segundo. O mundo pareceu prender a respiração. Ele lutava contra forças maiores do que eu poderia compreender.
— …não sei se conseguirei parar - Completou, resistindo.
Fechei os olhos, sentindo o coração disparar, o corpo implorando pelo toque que não vinha.
Por um, instante que parecia eterno, achei que ele iria ceder.
Então Alexander recuou abruptamente, como se algo o tivesse atingido, machucado.
Virou de costas, apoiando as mãos na janela, respirando fundo — Tentando manter dentro de si séculos de fome contida.
— Saia — disse, a voz baixa, tensa. — Agora. Eu não me perdoaria se fizerre algo ruim com você.
Abri os olhos, o peito apertado, o corpo inteiro pulsando com algo que não tinha nome. Eu só sabia que o medo havia se transformado em desejo. Não temia nenhum pouco o que poderia acontecer, eu queria demais aquele beijo e nem sequer compreendia o porquê.
— Alexander…
— Por favor! - Repetiu
Havia algo naquelas palavras que me faziam compreender que não era apenas um pedido, era uma súplica.
Me afastei, cada passo era pesado, o coração em um conflito que eu ainda não entendia. Mas antes de sair, olhei para trás, precisava saber se ele estava bem.
Ele ainda estava ali imóvel, por fora como uma estátua e por dentro à beira de um colapso.
O beijo não aconteceu, mas... nós dois queríamos demais. O que me fazia crer que existia verdade no que ele me disse, palavras podem mentir, mas sentimentos não. De alguma forma eu fazia mesmo parte daquele mundo, por mais louco que tudo parecesse.
Sai caminhando pelo corredor, refletindo sobre tudo que descobrira naquela noite.
Buscando compreender o que tudo significava, e principalmente... porque eu fui escolhida.







