Ruby Le Blanc
Naquela manhã, pela primeira vez, a sala era oficialmente minha.
Ainda parecia estranho pensar nisso. O vidro amplo deixava entrar uma luz suave, quase clínica, que iluminava as plantas virtuais abertas no monitor — protótipos, estudos de design, variações de textura e cor que eu analisava com atenção verdadeira. Eu estava trabalhando. De verdade. Não como figurante, não como herdeira incômoda, mas como alguém que tinha algo a entregar.
E, ainda assim, meu peito estava inquieto.
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