(Narrado por Camila)
Desde aquela noite, durmo mal.
Não consigo tirar da cabeça o brilho metálico do anel na gaveta de Gabriel.
Nem o jeito como ele me olhou — como se estivesse lutando contra mim e, ao mesmo tempo, implorando para que eu ficasse.
Mas o que me consome, mais do que tudo, é o silêncio dele.
Eu sou escritora. Vivo de palavras.
E Gabriel me quebra com as que ele não diz.
Hoje de manhã, sentei à mesa da varanda com Clara e Daniel. O sol parecia zombar da minha cara, brilhando forte