POV AMARA
A casa muda de som quando a noite chega.
Não é mais o silêncio confortável de antes. É um silêncio atento, em estado de alerta, como se o próprio apartamento estivesse segurando a respiração junto comigo.
Mateo está no berço.
Pequeno demais para ocupar tanto espaço dentro do meu peito.
Eu me sento na poltrona ao lado, sem coragem de ir para o quarto. Fico apenas observando o subir e descer suave do seu peito, aquele movimento mínimo que agora dita o ritmo do meu mundo.
Killian está encostado na parede, braços cruzados, postura rígida demais para alguém que acabou de chegar do trabalho e deveria estar exausto. Mas ele não pisca. Não desgruda os olhos do filho nem por um segundo.
— Ele respira tão baixo — ele murmura.
— Eu sei — respondo. — Dá medo.
Ele assente. Como se medo fosse uma língua que só agora aprendemos a falar juntos.
O primeiro choro vem sem aviso. Não é alto. Não é desesperado. É um som curto, quebrado, quase um teste.
Meu corpo reage antes da mente.
Levanto num