Capitulo 3

Hanna Ross

Ele ao perceber que sou vigem tenta se afastar.

— Não para, quero que seja com você.

— Are you sure about this? (Tem certeza disso?)— Apenas confirmo com a cabeça e ele toma a decisão de seguir em frente.

A dor vem primeiro, uma pontada aguda que me faz prender a respiração, mas logo sou tomada por outra sensação, algo mais profundo, quente e viciante. Meus dedos deslizam pelas costas dele, cravando-se levemente na pele enquanto meu corpo se ajusta ao dele.

— Você está bem? — sua voz vem carregada de algo que não consigo decifrar, talvez um cuidado inesperado, talvez um autocontrole absurdo.

Eu abro os olhos e encontro os dele. Eles estão escuros, intensos, cheios de desejo. Meu coração acelera ainda mais, e uma onda de calor percorre meu corpo.

— Sim — sussurro. — Continue.

Ele solta um som baixo, quase um rosnado, e começa a se mover, lentamente no início, como se quisesse me deixar confortável. Mas logo a necessidade fala mais alto, e meus quadris encontram o ritmo dele, guiando-o para mais fundo, para mais perto, para algo que nunca senti antes.

É intenso. É diferente de tudo que imaginei. Meu corpo responde como se sempre tivesse esperado por isso, como se algo dentro de mim tivesse finalmente despertado.

Minhas unhas deslizam pela pele dele, minha boca busca a dele em um beijo faminto, desesperado, e ele me devora da mesma forma. Como se eu fosse a única coisa que importasse no mundo agora.

O prazer cresce dentro de mim, se espalha como fogo consumindo tudo, e quando atinge o ápice, eu me entrego por completo. Me perco na onda, no calor, no toque dele.

E por alguns segundos, o mundo lá fora desaparece.

A noite se desenrola entre lençóis e silêncios confortáveis. E quando finalmente nos deixamos cair, exaustos, ele me envolve com um braço e puxa para junto de si.

Eu deveria me sentir culpada. Envergonhada. Arrependida.

Mas tudo o que sinto... é silêncio.

Pela primeira vez em semanas, minha cabeça para. Não há vozes me julgando. Nem lembranças me assombrando. Só o som da respiração dele, e o meu coração, ainda descompassado, tentando entender o que acabou de acontecer.

Olho para o teto, sentindo a textura dos lençóis contra a minha pele nua. Ele está ali, ao meu lado, respirando fundo, como se o mundo também pesasse sobre os ombros dele.

Talvez amanhã tudo volte com força: a culpa, o caos, o vazio.

Fecho os olhos.

E durmo.

******

Acordo com um peso sobre meu corpo, e um calor que não me pertence. Meu coração acelera antes mesmo de abrir os olhos. O cheiro amadeirado e masculino me envolve, e, por um instante, sinto uma falsa sensação de segurança. Mas então a realidade me atinge como um soco no estômago.

Meus olhos se arregalam. O braço forte ao redor da minha cintura, a respiração quente contra minha nuca… meu corpo enrijece. O que eu fiz?

Com um movimento cuidadoso, deslizo para fora daquele abraço. O estranho resmunga algo inaudível, mas não acorda. Minha pele formiga ao me afastar, sentindo o lençol roçar em minha pele nua. Nua. Meu Deus!

A lembrança da noite passada me atropela sem piedade.

O vestido azulado demais. As lágrimas que engoli com um copo de uísque. O barulho do meu coração despedaçado ao ver meu noivo—meu ex-noivo— metendo em sua secretária sem um pingo de culpa.

Fecho os olhos, tentando afastar a dor. Mas a memória continua. Meu corpo trêmulo ao sair daquela festa, a festa do nosso noivado. O caminho confuso até o bar. Os olhos escuros e intensos do desconhecido que me encarou do outro lado do balcão. A maneira como ele não perguntou nada, mas pareceu entender tudo. O modo como sua voz rouca me ofereceu um escape.

E eu aceitei.

Aceitei seu toque, seu beijo, sua promessa silenciosa de que, pelo menos por uma noite, eu não precisaria ser eu.

Meu estômago se revira. Nunca fui esse tipo de mulher. Nunca dormi com um estranho. Nunca me permiti ser tão impulsiva. Mas lá estava eu, nua na cama de um hotel, ao lado de um homem cujo nome eu nem sabia.

Meu olhar desliza para ele. O lençol cobre parte de seu corpo, mas não o suficiente para esconder o físico impecável. Os cabelos escuros estão bagunçados, a boca ligeiramente entreaberta. Ele é lindo. Perigoso. E completamente desconhecido.

Meu peito aperta. Preciso sair daqui.

Engulo em seco e estendo a mão até o chão, pegando minhas roupas espalhadas. Cada peça é um lembrete do que fiz. Do que fui ontem à noite. Do que nunca mais posso ser.

Hanna Ross não perde o controle.

Mas perdeu.

E agora precisa lidar com isso.

Me recomponho e dou uma última olhada nele. E lá está, mancha de sangue, a prova que me entreguei inteiramente a este belo desconhecido. Olho ao redor e vejo sobre a mesa um bloco de papel e uma caneta com as iniciais do hotel, não penso muito, apenas escrevo as seguintes palavras:

“Obrigada por ontem. Não sou esse tipo de mulher, mas ontem… eu só precisava esquecer. - H.R.”

Dobro o papel e deixo ao lado da cama, torcendo para que ele entenda — ou talvez, torcendo para que ele não entenda nada. Porque nem eu entendo.

Me visto às pressas, cada movimento carregado de culpa e vergonha. O vestido amassado me aperta em lugares errados, como se também me julgasse. Calço os sapatos e prendo o cabelo em um coque desajeitado, o máximo de controle que consigo recuperar neste momento.

Ao sair do quarto, o corredor do hotel parece mais longo do que quando cheguei. Tudo está mais frio, mais claro… mais real. Cada passo ecoa como uma sentença.

Chamo o elevador e, enquanto espero, minha mente volta ao rosto dele. O estranho que me acolheu sem saber meu nome, que me tocou como se pudesse colar meus pedaços. Por que ele fez isso? Por que eu deixei?

O elevador chega. Entro. Sozinha. Um suspiro escapa, pesado. Me olho no espelho metálico da porta e quase não me reconheço. Há algo nos meus olhos — algo partido, mas também… desperto.

Porque, por mais vergonhoso que tenha sido, por mais que eu queira esquecer, aquela noite me tirou do fundo do poço. Por um instante, me senti viva. Desejada. Livre.

Quando a porta se abre no térreo, respiro fundo e ergo o queixo. Não posso apagar o que aconteceu, mas posso decidir o que fazer com isso agora.

Talvez esse seja o primeiro passo para reconstruir quem sou. Ou quem quero ser, sem ele. Sem o noivo traidor, sem a mulher perfeita que todos esperam. Talvez Hanna Ross tenha caído… mas ela vai se levantar.

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